Com 100 novos membros, Cooperativa de Paulistana vai impulsionar comercialização de ovinos e caprinos no Piauí – pi.gov

Mais de 90 quilombolas da comunidade São Martins, no município de Paulistana, se filiaram nesse domingo (15) à Cooperativa de Produtores e Produtoras Rurais da Chapada Vale do Itaim (Coovita). A iniciativa integra um esforço para fortalecer o cooperativismo na agricultura familiar, liderado pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF).

Com a chegada dos novos filiados, a Coovita prevê ampliar a produção e a comercialização de carneiros e galinhas. A cooperativa é atendida atualmente pelo Programa de Fortalecimento das Cooperativas da Agricultura Familiar e pelo projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI), que prevê investimentos superiores a R$ 5 milhões.

Assembleia reuniu cooperados da Coovita (Foto: Geirlys Silva / SAF)

Entre os novos cooperados estão a jovem Iara Sousa e seu pai, Joaldo Sousa. A família, do quilombo São Martins, trabalha com a criação de cabras, ovelhas e galinhas, além do cultivo de frutas e verduras.

Joaldo, a filha e a esposa (Foto: Roberto Araujo / SAF)

Joaldo conta que sempre atuou na criação de animais. Ele diz que decidiu aderir à cooperativa após o incentivo da filha e pretende se dedicar diretamente ao cuidado do rebanho.

“A gente está com expectativa de que vai dar certo. Já falei pra Iara que pode deixar que eu tomo conta da criação, que ela pode continuar os estudos dela”, afirma.

Família de filiou à Coovita neste domingo (Foto: Geirlys Silva)

Iara explica que o incentivo à participação dos jovens surgiu a partir da Associação Quilombola da Comunidade São Martins, que tem estimulado a juventude a participar do associativismo e do cooperativismo. A expectativa é de aumento na demanda por carne ovina com a inauguração do frigorífico no município, obra em execução pela SAF que deverá impulsionar a produção animal na região.

“Os jovens da comunidade se empolgaram e toparam, porque muitos não possuem renda. Isso vai aumentar a renda dos jovens, mantê-los na comunidade, e a Coovita vai permitir que a gente cresça ainda mais”, destaca.

Família que vive em comunidade quilombola atua com a criação de animais (Foto: Roberto Araujo )

Além dos quilombolas de São Martins, outros 35 jovens dos municípios de Betânia do Piauí, Paulistana e Jacobina também se filiaram à cooperativa durante a assembleia deste domingo. O ato de filiação ocorreu durante a assembleia geral da cooperativa, em Betânia do Piauí, e representa um aumento de cerca de 30% no número de cooperados.

Fortalecimento das cooperativa

A secretária da Agricultura Familiar do Piauí, Rejane Tavares, ressalta o papel do Programa de Fortalecimento das Cooperativas da Agricultura Familiar, que tem apoiado a diretoria da cooperativa na gestão e na ampliação da base de cooperados, especialmente entre jovens, mulheres e quilombolas.

Foto: Geirlys Silva

“A gente começa a perceber que o trabalho que está sendo desenvolvido pela SAF, por meio do Redecoopi e das parcerias que temos com a gestão das cooperativas, já começa a mostrar resultados. Ter cerca de 100 pessoas a mais em uma assembleia ordinária da Coovita é um efeito extraordinário. Isso fortalece a ideia do cooperativismo aqui no Vale do Itaim e no Piauí como um todo. Não temos dúvida de que agricultores organizados têm mais força para acessar mercados, comercializar sua produção e produzir melhor”, afirma.

A presidenta da Coovita, Suzana Coelho, explica que a chegada dos novos cooperados deve refletir diretamente no aumento da produção de carne ovina. Segundo ela, a inauguração do frigorífico exigirá um número maior de produtores fornecedores de animais.

“A chegada de jovens e mulheres tem um impacto muito grande. Nossa cooperativa já possui uma base social formada por esses grupos, mas agora ela se fortalece ainda mais com a participação de uma comunidade quilombola. São mais de 90 novos cooperados que vão contribuir para a comercialização e trazer novos produtos. Estamos nos preparando para o funcionamento do frigorífico e precisamos ampliar o número de produtores para atender essa demanda”, detalha.

Foto: Geirlys Silva

A cooperativa também irá orientar os novos integrantes sobre os padrões de qualidade exigidos para a produção, com o objetivo de agregar mais valor aos animais comercializados.

“Vamos orientar sobre o padrão da cooperativa: como devem ser os animais, as formas de pagamento, as classificações, a idade ideal para comercialização e os mercados que atendemos atualmente. Todo esse processo de orientação será apresentado aos novos cooperados”, conclui Suzana Coelho.