Em Cajueiro da Praia, no litoral do Piauí, a artesã Rosineuda Lopes, conhecida como Nêda, transforma, há mais de 10 anos, materiais naturais e resíduos do mar em peças artesanais que garantem o sustento próprio e de outras famílias. A produção ocorre na varanda de casa, embaixo de um cajueiro, onde ela e a família confeccionam as peças, contribuindo para a geração de renda e valorização da cultura local.
Segundo Nêda, a produção é baseada no reaproveitamento de matérias-primas encontradas na própria região. “Tem o linho da carnaúba, o linho do buriti, taboa, tábua de canoa e corda de pesca fantasma, que é o que fica dos pescadores, como a corda, rede, anzol, tudo que sobra das peças que fica no mar eu aproveito”, explica a artesã, destacando que a partir desses materiais são produzidas luminárias, bolsas, tapeçarias e peças decorativas.
Nêda conta que a trajetória no artesanato começou com uma pequena barraca montada em frente à casa, onde eram comercializados itens simples, como ímãs de geladeira e chaveiros. O início da atividade foi motivado pelo desejo de ter um negócio próprio. Com o tempo, a produção foi ampliada e passou a incluir novas peças e técnicas, tornando o artesanato a principal fonte de renda da família.
Uma das suas principais produções são as famosas “vilinhas”, pequenas casas feitas com restos de canoas e madeiras do mar, que retratam o cotidiano da comunidade e surgiram a partir de uma necessidade pessoal. “Foi para decorar o quarto da minha filha quando ela era criança. Eu não tinha dinheiro pra comprar os ursinhos e bonecas que enfeita o quarto das crianças, então eu fazia as casinhas com o resto de madeira que sobrava da marcenaria do meu esposo, e deu tudo certo. Hoje são muito procuradas”, relata a artesã.
Além do aspecto criativo, o artesanato modificou a rotina da família e ampliou as possibilidades de geração de renda.
Segundo a artesã, o artesanato de seu espaço envolve cerca de outras 11 famílias, que passaram a valorizar mais a cultura local a partir da procura de turistas por produtos tradicionais, como o uru, peça utilizada por pescadores e lavradores, que ganhou novas aplicações voltadas ao público visitante.
Processo criativo
A produção ocorre de forma aberta, permitindo que turistas acompanhem de perto o processo artesanal. Na Barraca da Nêda, é possível observar diferentes etapas do trabalho, realizadas em ambientes como a varanda, na área externa da casa, além de conhecer os materiais utilizados e adquirir peças produzidas por diferentes famílias da comunidade.
O espaço também recebe visitantes de diferentes partes do país, incluindo personalidades da cultura e da comunicação. Entre eles, o jornalista Pedro Bial, que esteve no local recentemente e aproveitou a visita para recitar o poema “Acordei Velho”, de autoria da artesã. A obra aborda reflexões sobre o tempo, os sonhos e o cotidiano, elementos que também estão presentes nas peças produzidas por Nêda.
Artesanato piauiense em evidência
As peças produzidas por Nêda, presentes em mais de 27 países, integram a produção artesanal que expressa a identidade cultural do Piauí e vêm ampliando sua presença em feiras e eventos no Brasil e no exterior. Os produtos também estão disponíveis em espaços de comercialização apoiados pelo Governo do Estado, como a Casa do Artesão, na Central de Artesanato, e na plataforma Made in Piauí, o que amplia o acesso ao mercado e contribui para a geração de renda de artesãos piauienses.
