Teresina inicia a implantação de uma rede hiperlocal de monitoramento da qualidade do ar, marcando um avanço estratégico na gestão e na produção de dados para políticas públicas. A iniciativa é coordenada pela Agenda Teresina 2030, vinculada à Secretaria Municipal de Articulação Institucional (Semai), em parceria com a empresa Aurassure com apoio do Google, por meio de cooperação internacional, e posiciona a capital como referência nacional na integração entre inovação tecnológica, gestão pública e sustentabilidade.
O projeto prevê a instalação de sensores inteligentes em pontos estratégicos da cidade, como escolas, unidades de saúde e áreas de grande circulação. Esses equipamentos são capazes de medir, em tempo real, parâmetros como material particulado (PM2.5 e PM10), dióxido de carbono (CO₂), compostos orgânicos voláteis (TVOCs), temperatura e umidade. A tecnologia utiliza conectividade 4G e integração com plataformas digitais, permitindo o acesso contínuo aos dados e sua aplicação em análises ambientais e decisões governamentais.
A implantação da rede responde a um desafio histórico da capital: a ausência de um sistema contínuo de monitoramento da qualidade do ar. Atualmente, as informações disponíveis são pontuais e insuficientes para orientar políticas públicas de forma estruturada. Com a nova rede, será possível identificar áreas críticas de poluição, compreender padrões urbanos e agir de forma preventiva na proteção da saúde da população.
Outro diferencial do projeto é o uso de sensores hiperlocais, que permitem uma leitura mais detalhada da qualidade do ar em diferentes regiões da cidade. Ao contrário das estações tradicionais, que possuem alto custo e cobertura limitada, esses dispositivos são mais acessíveis, escaláveis e capazes de captar variações ambientais com maior precisão espacial.
Para o coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, a iniciativa representa uma mudança de paradigma na forma como a cidade lida com dados ambientais. “Trata-se de um projeto de cooperação internacional, cujo primeiro ano é integralmente financiado pelo Google. A Prefeitura dá um passo decisivo para transformar dados em política pública. Com isso, Teresina passa a ter condições de compreender, em tempo real, como a qualidade do ar impacta a vida das pessoas e, a partir disso, agir com mais precisão, responsabilidade e eficiência. A expectativa é que, com a consolidação da rede, os dados também sejam disponibilizados à população por meio de plataformas digitais”, destacou.
A iniciativa posiciona Teresina entre as cidades que utilizam dados em tempo real para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e da urbanização acelerada, como o aumento da poluição atmosférica e das doenças respiratórias. A proposta também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os de Saúde e Bem-Estar e Cidades Sustentáveis.
