Na localidade Estação Serra Branca, no município de São Raimundo Nonato, Ludmila de Araújo Galvão trabalha com apicultura há seis anos. “Sempre trabalhei na área rural. A apicultura é minha fonte de renda e representa independência financeira e motivo de orgulho. É uma atividade que exige dedicação, mas traz resultados e fortalece a mulher no campo”, afirma a apicultora.
Integrante da cooperativa Mel do Sertão, Ludmila possui suas próprias colmeias e produz, em média, 1.500 quilos de mel por ano, quantidade totalmente comercializada. “O valor pago por quilo varia conforme o período da safra e as condições do mercado. Em média, ficou em torno de R$ 9,00 o quilo, o que resulta em cerca de R$ 14 mil por safra”, explica.
Segundo a apicultora, a produção de mel está diretamente ligada ao regime de chuvas. Até fevereiro, as precipitações irregulares registradas neste ano afetaram a produção. “Agora, no final de fevereiro e início de março, as chuvas estão acima da média, o que melhora a expectativa para os próximos meses”, destaca.
Para Ludmila, o principal desafio da apicultura no Piauí é o clima. “Dependemos muito das chuvas para garantir uma boa florada e, consequentemente, uma boa produção. Também precisamos de mais apoio governamental, especialmente em assistência técnica, acesso ao crédito e incentivo à comercialização”, ressalta.
Sobre possíveis taxações impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, Ludmila avalia que decisões do mercado internacional podem influenciar o preço e a demanda pelo mel. “Mesmo assim, o mel produzido no Piauí tem qualidade reconhecida e continua encontrando espaço tanto no mercado nacional quanto no internacional”, pontua.
Cristina Ribeiro Miranda, que também integra a cooperativa Mel do Sertão, conheceu a apicultura em 2003, ao lado do pai. Há seis anos, passou a atuar diretamente na atividade, conciliando o trabalho com a agricultura familiar com a criação de ovinos e suínos.
Em 2025, sua produção chegou a aproximadamente uma tonelada de mel, totalmente comercializada, o que gerou uma renda de cerca de R$ 13 mil. Para Cristina, a apicultura é uma atividade importante por unir geração de renda e preservação ambiental. “É uma fonte de renda sustentável que também contribui para a conservação do meio ambiente. O maior desafio é manter as colmeias durante o período de estiagem e evitar a ação de predadores”, explica.
Outra apicultora da região de São Raimundo Nonato é a empresária Niele Ferreira, que atua ainda nos ramos de panificação e suplementação alimentar para atletas. Há oito anos na apicultura, ela possui 50 colmeias, responsáveis pela produção de cerca de 600 quilos de mel por ano, o que gera uma renda média de R$ 10 mil anuais.
“Temos projetos para ampliar a produção. A apicultura representa vida, natureza e equilíbrio do ecossistema. É uma atividade que gera renda e, ao mesmo tempo, contribui para a preservação ambiental”, conclui a empreendedora.
