O Hospital de Urgência de Teresina (HUT) encerrou, nesta terça-feira (29), as ações do Setembro Verde, mês de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. O momento foi marcado pela valorização das famílias que, mesmo diante da dor da perda, autorizam a doação e ajudam a transformar vidas.
O HUT tem papel de destaque na captação de órgãos no Piauí. Entre janeiro e agosto de 2025, foram realizadas 27 captações efetivas de múltiplos órgãos, contra 21 no mesmo período de 2024, um crescimento de quase 24%. No período, foram doadas 56 córneas, 20 fígados e 50 rins. Atualmente, o HUT responde por 77,1% das doações de múltiplos órgãos realizadas no Piauí.
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Piauí, a médica Maria de Lurdes Veras, agradeceu ao HUT pelo trabalho desenvolvido na captação de órgãos e destacou a importância da unidade para o sistema estadual de transplantes. “O HUT é o hospital de maior importância no Piauí para a doação de órgãos. Mais de 70% das doações vêm do HUT. É um trabalho árduo para a captação de órgãos e o trabalho realizado pela equipe é de excelência”, afirmou.
HUT encerra Setembro Verde como maior doador de órgão do Piauí (Foto: Ascom HUT)
Durante o encerramento do Setembro Verde, a diretora de Enfermagem do HUT, Suelem Silva, falou sobre a importância de conversar sobre a doação de órgãos e compartilhou uma experiência pessoal que marcou sua vida. Ela lembrou o gesto da própria mãe, que, mesmo diante da dor imensurável pela perda de um filho, autorizou a doação de múltiplos órgãos. “Minha mãe, mesmo vivendo uma dor que não conseguimos dimensionar, autorizou a doação dos órgãos do meu irmão. Foi um gesto de amor e solidariedade que permitiu que outras pessoas tivessem a oportunidade de continuar vivendo”, relatou Suelem.
Para Milena Cantuária, presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do HUT, as famílias doadoras são fundamentais para que a solidariedade se transforme em novas oportunidades de vida. “Gratidão às famílias doadoras. Elas são heróis que, em um momento muito difícil, decidem salvar novas vidas. Nós, profissionais de saúde, apesar de toda a tecnologia e de todos os nossos esforços, não conseguimos impedir a morte. Mas a doação ensina que a morte não precisa ser a última palavra. Mesmo após a morte de um ente querido, outras vidas podem ser salvas”, destacou.
Um dos principais recados do Setembro Verde é a importância de conversar sobre o tema dentro de casa. Avisar aos familiares sobre o desejo de ser doador é o passo mais importante, porque, após a morte, são os familiares que autorizam a doação. No HUT, o trabalho da CIHDOTT envolve uma equipe multiprofissional que acolhe e orienta as famílias durante todo o processo, respeitando o momento de dor e apresentando a possibilidade de transformar uma perda em esperança para outras pessoas. Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de até oito pessoas. Por isso, falar sobre o desejo de doar antes que uma situação de perda aconteça pode fazer toda a diferença.
Ao encerrar o Setembro Verde, o HUT reforça que a doação de órgãos é uma decisão que ultrapassa o momento da despedida. É um gesto capaz de transformar a dor de uma família em esperança para outras famílias e permitir que novas histórias continuem sendo escritas.
