Audiência pública na Câmara dos Vereadores (Foto: Ascom FMS)
Nesta segunda-feira (4), a presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Leopoldina Cipriano, participou de audiência pública na Câmara dos Vereadores para apresentar o panorama estrutural das 91 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital. Logo no início, a gestão reforçou que tem trabalhado de forma contínua para sanar as dificuldades herdadas em janeiro de 2025, quando assumiu em meio a um cenário de caos amplamente divulgado pela própria FMS, em nome da transparência.
O ponto central da apresentação foi os desafios estruturais das UBS. Em 2025, foram emitidas 798 ordens de serviço, mas apenas 220 concluídas pela empresa contratada, que está em processo de punição pela FMS. Em 2026, outra empresa assumiu temporariamente, mas também apresentou baixo desempenho, com apenas 69 ordens finalizadas de um total de 309. A situação levou à abertura e conclusão de nova licitação, vencida por uma nova empresa que assinou contrato em abril deste ano para assumir a manutenção predial das unidades.
Apesar dos desafios, a gestão destacou avanços gradativos: reabertura de 45 consultórios odontológicos nas UBS que estavam interditados pelo Conselho Regional de Odontologia; reativação de 11 salas de vacina, ampliando a cobertura da imunização; instalação de 13 câmaras frias na zona rural para reforçar a conservação de vacinas; inserção de telelaudo em 77 unidades, garantindo resultados de exames em menos de 24 horas; adesão ao programa TeleNordeste, ampliando o acesso a especialistas por teleconsulta; e aumento de 7% na procura pelos postos de saúde, comparando 2024 com 2025.
Na atenção básica, foram realizados também pequenos reparos estruturais em diversas unidades, como UBS Saci, Estaca Zero, São Pedro, Cristo Rei, Nova Teresina, Cacimba Velha, Santa Clara, Flamboyant, Cerâmica Cil, Vermelha, Buenos Aires e Boquinha. Além disso, já estão planejadas obras em unidades como Adelino Matos, Cidade Verde, Irmã Dulce, Cidade Jardim, Piçarreira, Planalto Uruguai, Coroatá, Planalto Ininga, Dirceu, Teresina Sul, Mocambinho, Nossa Senhora da Guia, Vila Bandeirante, Dois Irmãos, Hugo Prado e Cerâmica Cil.
Como parte da reestruturação administrativa, a FMS criou ainda um núcleo na Diretoria de Compras Públicas (DCP) para fiscalizar e punir empresas que não cumprem suas obrigações contratuais. Também abriu auditorias internas para verificar insumos, contratos e pessoal, fortalecendo os mecanismos de controle e gestão. Outro avanço foi o termo de cooperação firmado com a Sejus, que permitirá que pessoas privadas de liberdade atuem na revitalização de algumas unidades, contribuindo para a reinserção social e a melhoria da infraestrutura.
Durante a audiência, a presidente da FMS, Leopoldina Cipriano, reforçou o compromisso da gestão com a recuperação da rede. “Não ficamos parados diante das dificuldades. Criamos mecanismos de controle, buscamos recursos e estamos requalificando nossas unidades para garantir uma saúde básica de qualidade. Já conseguimos captar R$ 15 milhões em emendas parlamentares federais, além de recursos próprios e portarias do Ministério da Saúde destinados à manutenção das UBS. Ainda precisamos de mais investimentos, pois o financiamento da saúde é tripartite, União, Estado e Município, e o apoio do Legislativo é essencial para avançarmos.”
